Como preparar a geração Z para o futuro do trabalho?

‎Por Isabela Romanin

O futuro do trabalho está em constante transformação, impulsionado pela automação e avanços tecnológicos. No entanto, em meio a essas mudanças, o diferencial humano ganha ainda mais destaque: a capacidade de comunicação, empatia e adaptabilidade. Este artigo explora como líderes e empresas podem desenvolver soft skills na geração Z para prepará-los para os desafios do mercado.

A geração Z (nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010) cresceu em um mundo altamente digitalizado e dinâmico, o que lhes deu uma vantagem em termos de domínio tecnológico. No entanto, paradoxalmente, essa mesma exposição intensa ao digital pode dificultar o desenvolvimento de habilidades interpessoais. Para líderes empresariais e de tecnologia, compreender como nutrir essas competências pode não só melhorar a produtividade e a inovação, mas também criar equipes mais resilientes e adaptáveis.

O papel das soft skills no futuro do trabalho

A Era da Automação e a Valorização do Humano

Por que as soft skills serão indispensáveis para a geração Z no futuro do trabalho?

Em um mundo onde máquinas assumem tarefas rotineiras e repetitivas, o diferencial humano está cada vez mais associado às habilidades que as máquinas não podem replicar. De acordo com um relatório do McKinsey, até 2030, entre 3% e 14% dos trabalhadores em todo o mundo (75 a 375 milhões de pessoas) poderão precisar mudar de ocupação devido à automação. Apesar disso, a demanda por competências como resolução criativa de problemas, empatia e colaboração está crescendo exponencialmente.

Soft skills, como a capacidade de trabalhar em equipe, gerenciar conflitos e demonstrar inteligência emocional, são o coração da inovação. A Deloitte destaca que organizações com uma abordagem baseada em habilidades são 98% mais propensas a reter empregados de alto desempenho e a serem reconhecidas como ótimos lugares para crescimento e desenvolvimento.

Para a geração Z, o desenvolvimento dessas competências é vital. Enquanto sua facilidade com ferramentas digitais os coloca em vantagem, muitas vezes falta a eles a confiança e a prática em interações cara a cara, liderança e tomada de decisões sob pressão de todas habilidades cruciais para o mercado.

Os principais obstáculos da geração Z no mercado de trabalho

Como a transição de uma geração digital para o mundo corporativo presencial afeta o desenvolvimento das habilidades sociais?

Embora a geração Z seja conhecida por ser “nativa digital”, essa dependência da tecnologia pode, paradoxalmente, limitar sua capacidade de comunicação interpessoal. Em um ambiente corporativo, onde a colaboração e a troca de ideias são essenciais, essa lacuna se torna um obstáculo.

De acordo com a Revista ft, pesquisas indicam que a geração Z, por ter crescido em uma era dominada pela tecnologia, tende a preferir a comunicação digital à interação presencial, o que pode limitar suas habilidades de comunicação interpessoal. Essa preferência pode resultar em desafios para gestores que valorizam a comunicação face a face no ambiente de trabalho.

Gestão de tempo e foco

A exposição contínua a distrações digitais, como redes sociais e notificações, também pode impactar a capacidade da geração Z de se concentrar e gerenciar prioridades. No futuro do trabalho, onde a produtividade e a eficiência são fatores críticos, essas são áreas que precisam ser desenvolvidas.

Resiliência e inteligência emocional

Outra questão é a resiliência. Apesar de serem uma geração ambiciosa, a geração Z também é frequentemente associada a altos níveis de ansiedade e estresse. Desenvolver inteligência emocional, que envolve habilidades como autoconsciência, empatia e controle emocional, é crucial para que eles possam enfrentar os desafios de um mercado de trabalho em constante transformação.

Exemplos de como a geração Z pode melhorar suas habilidades interpessoais com tecnologia e inovação.

Uma das melhores formas de ensinar soft skills é através de experiências práticas. Programas de mentoria, simulações de cenários corporativos e projetos colaborativos permitem que jovens profissionais desenvolvam habilidades como liderança, negociação e tomada de decisão.

Por exemplo, empresas como a SAP implementaram programas de “gamificação corporativa”, onde equipes precisam trabalhar juntas para resolver problemas complexos em um ambiente competitivo e realista. Esses exercícios não apenas constroem competências práticas, mas também ajudam os jovens a desenvolver autoconfiança e habilidades interpessoais.

Treinamento contínuo e feedback constante

Soft skills não são adquiridas da noite para o dia – elas exigem prática e aprimoramento contínuos. Líderes de tecnologia e empresários podem implementar programas regulares de treinamento voltados para habilidades humanas, como comunicação assertiva, gerenciamento de conflitos e inteligência emocional.

Além disso, o feedback é uma ferramenta poderosa. Oferecer retornos construtivos e específicos ajudam os jovens a identificar áreas de melhoria e a adotar comportamentos mais eficazes.

Criação de ambientes de trabalho colaborativos e diversos

Ambientes que incentivam a colaboração e a diversidade promovem o desenvolvimento natural das soft skills. Por meio do contato com diferentes perspectivas e estilos de trabalho, os jovens aprendem a adaptar suas abordagens e a trabalhar de forma mais eficaz em equipe.

Um exemplo interessante é a estratégia da Google, que incentiva a “diversidade cognitiva” em suas equipes, agrupando pessoas com diferentes experiências e estilos de pensamento. Isso não apenas gera melhores soluções, mas também fortalece habilidades interpessoais entre os membros do time.

Uso de tecnologia para treinar soft skills

Embora pareça contraditório, a tecnologia pode ser uma aliada no desenvolvimento de soft skills. Plataformas de realidade virtual, como a oferecida pela Talespin, permitem que os funcionários pratiquem cenários desafiadores, como conversas difíceis ou resolução de conflitos, em um ambiente simulado.

A Inteligência Artificial também pode oferecer insights personalizados sobre o progresso dos funcionários, ajudando líderes a identificar áreas que precisam de maior atenção.

O impacto de uma liderança empática no sucesso da geração Z

Como os líderes podem inspirar e preparar a geração Z para superar os desafios do futuro?

Líderes empresariais e de tecnologia têm uma função essencial na preparação da geração Z para o futuro do trabalho. Inspirar pelo exemplo, promover uma cultura de aprendizado contínuo e oferecer suporte são algumas das ações que podem fazer a diferença.

Além disso, criar espaços onde os jovens se sintam seguros para errar e aprender é fundamental. Uma pesquisa mencionada pelo Valor Econômico destaca que 40% das pessoas percebem o trabalho como uma fonte significativa de estresse e desgaste mental, sugerindo que a falta de segurança psicológica pode ser um obstáculo à inovação.

Logo, à medida que avançamos em um mercado de trabalho cada vez mais dominado pela tecnologia, as soft skills emergem como o verdadeiro diferencial humano. Para a geração Z essas habilidades não são apenas desejáveis, são essenciais para navegar no futuro do trabalho com sucesso.

Ao investir em treinamento, promover experiências práticas e criar ambientes inclusivos, líderes e empresas podem transformar jovens talentos em profissionais completos e resilientes. Este esforço não só prepara a próxima geração para o sucesso, mas também garante que as organizações estejam prontas para prosperar em um mundo em constante mudança.

No fim das contas, não se trata apenas de preparar a geração Z para o futuro do trabalho, mas de criar um onde habilidades humanas coexistam com a inovação. As soft skills não são apenas um diferencial – são a essência do que nos torna verdadeiramente indispensáveis em um mundo cada vez mais tecnológico.

Isabela-Romanin

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Isabela Romanin

Isabela Romanin é uma líder focada no desenvolvimento de pessoas e na criação de ambientes de trabalho mais humanos e inovadores. Com mais de 10 anos de experiência em recursos humanos, estratégia e transformação organizacional, Isabela fundou a Avoar Consultoria para ajudar empresas a fortalecerem suas equipes e promoverem o bem-estar no ambiente corporativo. Com um MBA em Inteligência de Mercado e uma carreira diversificada, que inclui atuação em grandes empresas e consultoria estratégica, ela busca integrar inovação digital com uma liderança centrada nas pessoas. Como conselheira da REDE Líderes Digitais, ela promove iniciativas que unem tecnologia e cuidado humano, destacando o papel transformador do RH no futuro do trabalho.

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