Como as narrativas humanizadas transformam marcas financeiras e conquistam clientes?

‎Por Christiane Botan

Na era da hiperconectividade que define nosso cotidiano, a relação entre consumidores e marcas evoluiu drasticamente. Se antes o setor financeiro era percebido como frio, técnico e distante, hoje as empresas precisam adotar uma abordagem mais próxima, empática e voltada para as necessidades humanas. Nesse cenário, as narrativas humanizadas se tornam ferramentas poderosas para marcas financeiras que buscam se diferenciar e criar conexões genuínas com seu público.

Mas o que significa construir uma narrativa humanizada? E como isso pode transformar a percepção de uma marca financeira, ao mesmo tempo em que impacta diretamente seus resultados?



O que são narrativas humanizadas?

Narrativas humanizadas são histórias que colocam as pessoas no centro da comunicação de uma marca. Em vez de enfatizar produtos, serviços ou números, essa abordagem foca em contar histórias reais, emocionantes e empáticas que conectem a empresa aos valores, desafios e sonhos de seus clientes.

Por exemplo, em vez de uma propaganda que exalte taxas de juros competitivas, uma narrativa humanizada poderia contar a história de um jovem empreendedor que conseguiu realizar seu sonho de abrir um negócio com o suporte de uma instituição financeira. Essa narrativa não apenas informa, mas também cria uma conexão emocional, fazendo com que o cliente se veja como parte dessa história.

No setor financeiro, onde o jargão técnico muitas vezes afasta os consumidores, humanizar a comunicação é um passo essencial para aproximar a marca das pessoas.



Por que narrativas humanizadas são cruciais no setor financeiro?

O mercado financeiro enfrenta uma série de desafios quando o assunto é conquistar a confiança do público. Instituições financeiras frequentemente lidam com percepções negativas relacionadas a burocracia, falta de transparência e desumanização nos serviços. De acordo com o “Edelman Trust Barometer 2023”, a confiança global nas instituições financeiras é de 56%, o que indica que 44% das pessoas não confiam nesse setor. No Brasil, a confiança nas instituições financeiras é de 50%, refletindo uma divisão semelhante. Esses dados destacam a necessidade de maior transparência e responsabilidade por parte das instituições financeiras para fortalecer a confiança pública.

Nesse contexto, adotar uma comunicação humanizada não é apenas uma tendência – é uma necessidade estratégica. Entre os principais benefícios, podemos destacar:

  • Construção de confiança: Ao compartilhar histórias autênticas e reais, a marca demonstra que se importa com seus clientes além dos números.
  • Fidelização de clientes: Consumidores tendem a ser mais leais a empresas que compreendem suas necessidades e desafios.
  • Diferenciação no mercado: Em um setor repleto de mensagens genéricas, as narrativas humanizadas ajudam marcas a se destacarem e serem lembradas.
  • Conversão emocional: De acordo com o estudo “Global Consumer Pulse” da Accenture Strategy, publicado pela Forbes, 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que defendem propósitos alinhados aos seus valores de vida.



Elementos-chave para construir narrativas humanizadas

Para criar narrativas eficazes, é essencial estruturar a comunicação com elementos que promovam identificação, emoção e autenticidade. Esses componentes ajudam a construir histórias envolventes, capazes de conectar a marca ao público de maneira profunda e significativa.

O primeiro passo é conhecer bem o público-alvo. Narrativas humanizadas começam com uma compreensão clara de quem são os clientes da marca, seus desafios, sonhos e dores. Dados obtidos por meio de pesquisas internas, análises de comportamento e feedback direto dos consumidores são ferramentas valiosas para criar histórias que ressoem. Quando a narrativa reflete as experiências e aspirações do público, ela se torna mais poderosa e impactante.

A autenticidade é outro pilar essencial. Os consumidores modernos reconhecem rapidamente quando uma história parece artificial ou forçada. Por isso, é fundamental que as narrativas sejam genuínas, baseadas em experiências reais ou inspiradas em situações concretas vividas por clientes ou colaboradores. A autenticidade cria credibilidade e reforça a confiança na marca.

Além disso, é importante usar emoções como ferramenta de conexão. No setor financeiro, por exemplo, histórias emocionais podem ter um impacto ainda mais profundo. Relatos como o de uma família que conseguiu adquirir sua primeira casa por meio de um financiamento, ou o de um empreendedor que superou dificuldades com o apoio de uma instituição financeira, são exemplos que geram identificação, empatia e confiança.

Para garantir a clareza e o impacto, toda história deve seguir uma estrutura clássica de storytelling, com início, meio e fim bem definidos. No início, apresenta-se o desafio enfrentado pelo protagonista; no meio, destaca-se como a marca ajudou a resolver o problema; e, no fim, mostra-se o resultado alcançado e os benefícios obtidos. Essa estrutura facilita a compreensão e mantém o público envolvido do começo ao fim.

Por fim, as narrativas podem ir além dos clientes, incluindo também os colaboradores na história da marca. Relatar experiências e valores vividos por funcionários humaniza a organização e reforça sua cultura corporativa. Essas histórias criam um elo mais próximo entre a empresa, seus colaboradores e o público externo.

Com uma abordagem estruturada, emocional e autêntica, as narrativas tornam-se ferramentas poderosas para construir conexões significativas e fortalecer a identidade da marca.



Exemplos reais de narrativas humanizadas no setor financeiro

A humanização na comunicação é um diferencial poderoso, e algumas marcas financeiras têm se destacado ao usar narrativas autênticas para criar conexões profundas com seu público. Exemplos como o Nubank, Banco Inter e Santander ilustram como histórias bem estruturadas podem reforçar a identidade de uma marca e gerar identificação.

O Nubank é amplamente reconhecido por sua comunicação direta e empática. A marca se destaca ao adotar um tom acessível e compartilhar histórias reais de clientes que foram beneficiados por suas soluções financeiras. Um exemplo memorável é a campanha que trouxe à tona relatos de pequenos empreendedores, mostrando como o banco contribuiu para transformar seus negócios. Essa abordagem reforça o vínculo com o público, mostrando que a marca compreende e valoriza as necessidades de seus clientes.

Já o Banco Inter utiliza suas redes sociais para destacar a jornada de clientes que conquistaram independência financeira. Essas histórias, muitas vezes inspiradoras, ajudam a criar identificação e a reforçar o propósito da marca. Ao apresentar casos reais, o Banco Inter não apenas engaja seu público, mas também reafirma seu compromisso em facilitar o acesso a soluções financeiras.

O Santander, por sua vez, foca em narrativas que evidenciam seu impacto social. Campanhas como “Juntos, podemos fazer mais” exemplificam como a marca utiliza histórias humanizadas para destacar iniciativas de educação financeira em comunidades carentes e outros projetos de responsabilidade social. Essas ações não apenas comunicam valores, mas também fortalecem o papel do banco como um agente transformador na sociedade.

Esses exemplos mostram que, ao investir em narrativas autênticas e relevantes, marcas financeiras podem construir uma conexão emocional sólida com seu público, destacando-se em um mercado competitivo.



Como implementar narrativas humanizadas na sua estratégia?

Para construir uma comunicação genuína e impactante, é essencial adotar práticas que priorizem clareza, empatia e conexão com o público. Algumas estratégias são indispensáveis para fortalecer o vínculo entre a marca e seus clientes.

A primeira delas é adotar uma linguagem clara e empática. Evitar jargões financeiros e optar por uma comunicação acessível torna as mensagens mais compreensíveis para um público diverso. Isso não apenas facilita a conexão, mas também reflete a preocupação da marca em ser inclusiva e próxima de seus consumidores.

Outra estratégia poderosa é investir em storytelling multicanal. Aproveitar diferentes plataformas – como redes sociais, vídeos e blogs – permite compartilhar histórias de maneira impactante e alcançar uma audiência mais ampla.

Além disso, é fundamental capacitar a equipe para alinhar todos os colaboradores ao propósito da marca. Desde o atendimento ao cliente até o marketing, todos devem estar preparados para criar interações humanas e empáticas. Essa preparação fortalece a consistência da comunicação e ajuda a transmitir os valores da empresa em cada ponto de contato.

Por fim, coletar feedback real dos clientes é uma prática valiosa. Encorajar os consumidores a compartilhar suas histórias e experiências não só oferece insights valiosos para melhorias, mas também gera conteúdo autêntico e inspirador. Esses relatos podem ser utilizados para criar uma comunicação ainda mais envolvente e alinhada às expectativas do público.

Com essas estratégias, as marcas podem construir uma comunicação mais humana, relevante e eficaz, consolidando sua posição no mercado e criando relacionamentos duradouros com seus clientes.

Logo, no setor financeiro, onde a confiança é a base de qualquer relação, construir narrativas humanizadas não é apenas uma estratégia de marketing – é um movimento que pode redefinir a percepção da marca. Instituições financeiras que investem em contar histórias autênticas e empáticas conseguem não apenas se diferenciar no mercado, mas também criar conexões reais com seus clientes.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a humanização se torna o ponto de equilíbrio entre tecnologia, inovação e emoção. Marcas financeiras que conseguem alinhar esses elementos têm uma oportunidade única de transformar seus resultados e conquistar um público fiel e engajado.

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CONSELHEIR@

Christiane Botan

Economista com MBA em Marketing, possuo mais de 25 anos de experiência em liderança executiva, atuando em grandes instituições financeiras como Bradesco, HSBC, Itaú e Bank Boston. Minha trajetória inclui especialização em produtos, comunicação, marketing, experiência do cliente e estratégia, tendo liderado transformações significativas nos setores de varejo, atacado e gestão de patrimônio. Reconhecida pela criação de soluções inovadoras e sustentáveis, sou orientada por dados e resultados, com histórico de aumento de receitas e engajamento, além de fortalecer ecossistemas colaborativos por meio de conexões estratégicas e liderança inspiradora.

 

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