CX não é atendimento: o erro que ainda custa milhões às empresas

‎Por Michelle Uema

Por que tantas empresas ainda falham em medir experiência do cliente – e como corrigir esse erro antes que seja tarde demais.

A forma como muitas empresas medem Customer Experience (CX) ainda é equivocada. Elas analisam tempo médio de atendimento (TMA), taxa de resolução e NPS como se esses indicadores, isoladamente, garantissem uma experiência de qualidade. Mas se CX fosse apenas sobre resolver problemas rapidamente, por que tantas marcas eficientes perdem clientes para concorrentes que constroem relacionamento real?

O erro não está em medir esses números. Está em acreditar que eles, sozinhos, são suficientes para definir a experiência do cliente. A verdadeira questão que toda liderança deveria se fazer não é se sua empresa está resolvendo problemas com eficiência, mas se ela está impedindo que esses problemas aconteçam.

A experiência do cliente não começa no atendimento – começa na estratégia.




O Maior Erro das Empresas em CX: Pensar Pequeno

Muitas empresas ainda tratam CX como um departamento de suporte, quando, na realidade, deveria ser um pilar estratégico do negócio. Essa visão limitada gera consequências previsíveis:

  • Produtos são lançados sem validação real do cliente, tornando-se irrelevantes antes mesmo de ganharem tração.
  • Processos internos priorizam eficiência operacional, mas ignoram a fluidez da jornada do usuário.
  • Equipes de suporte são pressionadas por metas de SLA e tempo de resposta, mas ninguém monitora como o cliente se sente ao longo da experiência.

No fim, tudo se resume a uma questão central: se a experiência do cliente não influencia diretamente retenção, LTV e diferenciação competitiva, ela se torna apenas um custo operacional – e não uma vantagem estratégica.




Métricas Que Importam (E As Que Enganam)

Se sua empresa mede CX apenas por tempo de resposta e satisfação pós-atendimento, você está analisando o sintoma, não a causa. CX precisa ser tratado como um gerador de receita, e não como um centro de custos.

As empresas que realmente transformam a experiência do cliente olham para métricas que refletem impacto no negócio, como:

CES (Customer Effort Score): mede o esforço que o cliente precisa fazer para resolver um problema. Quanto menor, melhor.
Churn Driver Analysis: entender quem cancela um serviço não basta; é essencial saber por que ele cancela.
LTV/CAC Ratio: experiência impacta retenção e recompra. Se seu CX não melhora LTV, ele é um custo – não um investimento.
Índice de Carga Emocional (ICE): porque experiência é percepção, e a forma como o cliente se sente determina sua lealdade à marca.

Por outro lado, algumas métricas ainda enganam muitas empresas:

Tempo médio de atendimento (TMA): rapidez não significa eficiência. Se o cliente precisa entrar em contato várias vezes, um TMA baixo não faz diferença.
Número de tickets resolvidos: o objetivo não deveria ser resolver problemas, mas evitá-los.
NPS isolado: sem análise qualitativa, o NPS é apenas um número sem contexto.

Métricas operacionais são importantes, mas não podem ser o único termômetro da experiência do cliente. Se CX não estiver diretamente conectado a indicadores financeiros e estratégicos, ele nunca será prioridade para o Board.




Empatia É Importante. Mas Não Basta.

Se eu tivesse um dólar para cada vez que ouvi que “empatia é a chave para uma boa experiência do cliente”, já teria investido tudo em automação.

Empatia é um pilar essencial do CX, mas, isoladamente, ela não resolve os desafios do cliente. De nada adianta um atendente atencioso e educado se ele não tem autonomia para resolver problemas. A experiência piora quando alguém demonstra empatia, mas diz “sinto muito, não posso fazer nada”.

O mesmo acontece quando a empresa impõe processos rígidos e burocráticos, transformando cada solicitação do cliente em um labirinto de frustrações. A verdade é que empatia só funciona quando está aliada a eficiência e design da experiência.

O cliente quer ser ouvido? Sim. Mas, acima de tudo, ele quer não precisar reclamar.




O Que Empresas Líderes Fazem Diferente?

As melhores empresas do mundo não tratam CX como um custo operacional, mas como diferencial competitivo real.

  • Amazon: analisa padrões de comportamento e, se percebe que um pedido pode atrasar, avisa o cliente antes mesmo dele perceber o problema.
  • Nubank: criou uma marca de lealdade extrema sem precisar de agências físicas, porque entende que experiência é um dos pilares do seu modelo de negócios.
  • Tesla: não trata CX como atendimento, mas como parte de um ecossistema interconectado, onde cada detalhe reforça a proposta de valor.
  • Apple: transformou o pós-venda em um ativo estratégico. Os clientes não apenas aceitam pagar mais, como querem continuar no ecossistema da marca.

Essas marcas não são referências apenas porque atendem bem os clientes. Elas desenham experiências sem atrito.




O Futuro de CX: Quem Não Priorizar, Vai Ficar Para Trás

Se sua empresa ainda mede CX apenas pelo tempo de atendimento, já está ficando para trás. A próxima década será dominada por negócios que compreendem que experiência não é “atender bem” – é evitar que o cliente precise ser atendido.

🔹 CX não pode ser um time isolado – precisa estar no centro da estratégia de negócio.
🔹 Se sua métrica principal ainda é TMA ou número de tickets resolvidos, você está perdendo o jogo.
🔹 Empatia sem estrutura não gera lealdade – eficiência e personalização, sim.

Agora, quero saber sua opinião: com que métricas sua empresa ainda mede experiência do cliente? O que você mudaria na sua estratégia? Comente aqui e vamos conversar.

Michelle-Uema

CONSELHEIR@

Michelle Uema

Especialista em Transformação Organizacional, Estratégia de Crescimento e Experiência do Cliente

Executiva com mais de 17 anos de experiência liderando transformações organizacionais de alto impacto em multinacionais e startups. Reconhecida por sua atuação estratégica na América Latina e sua experiência internacional no México, onde liderou a área de Customer Experience da SpotOn, conduzindo uma transformação que posicionou a empresa entre as melhores operações de suporte dos Estados Unidos, recebendo o prêmio “The Best Support Operations”.

Com passagens por Sanofi, DSM, Uber, Mondelez, Philips e Whirlpool, Michelle é especialista em Go-to-Market, reestruturação e aceleração de negócios em contextos desafiadores, como M&As, turnarounds e spin-offs. Seu diferencial está na capacidade de conectar estratégia, operação e cultura organizacional para gerar crescimento sustentável e diferenciação competitiva.

Atualmente, atua como mentora e conselheira de executivos e empresas no Brasil e América Latina, compartilhando insights estratégicos sobre experiência do cliente, transformação digital e excelência operacional. Seus artigos e publicações desafiam o status quo e oferecem um olhar pragmático sobre o futuro dos negócios, tornando-se leitura essencial para líderes que querem sair da teoria e transformar suas organizações.

LinkedIn
Twitter
Facebook
WhatsApp
Email

Quem também está com a gente

Empresas, Startups, Centros de Pesquisa e Investidores