O Papel Estratégico da liderança de Tecnologia para diferenciação e sustentabilidade  das empresas

‎Por Paulo Scrideli

Nos últimos anos, o papel do líder da área de Tecnologia vem passado por transformações significativas. Se sua função no passado estava mais focada na gestão da infraestrutura de TI e suporte às operações, hoje muitos CIOs desempenham um papel importante desde a definição da estratégia empresarial, colaborando diretamente com a alta liderança para integrar soluções tecnológicas que não apenas aprimoram a eficiência operacional, mas também geram valor competitivo e suportam a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo.

Neste contexto, ter um bom entendimento do negócio é um fator crítico para a atuação estratégica do CIO. Conhecer a lógica da operação, os desafios do mercado e a estratégia de produtos permite que a tecnologia seja aplicada de maneira mais eficiente, agregando valor real à organização. Um CIO que não possui essa compreensão pode acabar se limitando apenas como um executor de demandas, sem capacidade de influenciar as decisões estratégicas e sem garantir que as soluções implementadas estejam de fato alinhadas com as necessidades da empresa e de seus clientes. Para evitar essa desconexão, é fundamental que o CIO atue como uma ponte entre tecnologia e negócios, articulando soluções que potencializem a criação de novas oportunidades.

E para que a tecnologia possa efetivamente impulsionar o crescimento da organização, é essencial também que o CIO tenha uma visão abrangente dos processos da empresa, compreendendo suas necessidades e identificando oportunidades de inovação. Essa visão end-to-end permite que as soluções tecnológicas sejam desenhadas não apenas para atender demandas operacionais imediatas, mas também para garantir flexibilidade e escalabilidade a longo prazo. A fragmentação dos sistemas e a falta de padrões de arquitetura e governança podem levar a um crescimento descontrolado de legados tecnológicos, o que progressivamente compromete a agilidade e aumenta os custos de manutenção.

Além de compreender a dinâmica interna da organização, o CIO precisa ainda ter um olhar atento para as expectativas dos clientes finais. Em um cenário onde a experiência do consumidor é um dos principais fatores de diferenciação entre empresas, as decisões tecnológicas precisam considerar não apenas a eficiência interna, mas também o impacto na jornada do cliente. Isso envolve desde a adoção de plataformas digitais que facilitem a interação com produtos e serviços até a implementação de soluções de automação e inteligência artificial que personalizem e otimizem a experiência do usuário. O CIO deve, portanto, garantir que a tecnologia esteja alinhada às expectativas do consumidor, traduzindo suas demandas em estratégias concretas de transformação digital.

A influência do CIO dentro da organização também é um aspecto crucial para o sucesso da estratégia tecnológica. Sua capacidade de comunicação e articulação com diferentes áreas da empresa impacta diretamente no grau de adesão às iniciativas de inovação e transformação digital. Não basta definir diretrizes e padrões tecnológicos se não houver um trabalho ativo de evangelização e engajamento com outros executivos e stakeholders. O alinhamento com líderes de áreas como marketing, operações e finanças é essencial para garantir que a tecnologia seja vista como um ativo estratégico e não apenas como um centro de custos.

Além disso, manter uma agenda permanente de modernização da arquitetura tecnológica também precisa ser uma prioridade para o CIO, que deve evitar a armadilha dos sistemas legados que limitam a inovação e aumentam os riscos operacionais. Escolhas para evolução das plataformas, como a adoção de arquiteturas evolutivas, baseadas em microsserviços, eventos e APIs abertas, permitem que a empresa se adapte rapidamente às mudanças do mercado e incorpore novas tecnologias sem necessidade de grandes reestruturações.

Temas como modelos de entrega ágeis, automação das esteiras de desenvolvimento, adoção de ferramentas “infra as code”, observabilidade, arquitetura “zero trust”, entre outras melhores práticas, sem falar das oportunidade com adoção de inteligência artificial, devem também compor o conjunto de iniciativas sob o radar do CIO, buscando proporcionar maior autonomia para seus times, acelerar os ciclos de entrega, reduzir erros operacionais, aumentar a confiabilidade e melhorar a disponibilidade das plataformas , o que no final se reflete na satisfação dos seus clientes internos e externos.

Em suma, a evolução do papel do CIO reflete a crescente importância da tecnologia para a estratégia das empresas. Sua atuação não pode se limitar à gestão da TI, mas abrange um papel mais amplo como arquiteto da transformação digital e facilitador da inovação. A combinação de visão de negócios, capacidade de influência e domínio das tecnologias emergentes habilitam um CIO para garantir que sua empresa não apenas acompanhe as mudanças do mercado, mas se antecipe a elas. O futuro das organizações passa, sem dúvidas, pela capacidade de seus líderes de transformar a Tecnologia em um diferencial competitivo, promovendo eficiência operacional, inovação contínua e resiliência para enfrentar os desafios do mundo digital.

Paulo-Scrideli

CONSELHEIR@

Paulo Scrideli

Graduado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e PED pela Ohio University. Possui mais de 25 anos de atuação no segmento de Tecnologia, com sólida experiência em negócios e na gestão de serviços e tecnologia em organizações de alta performance.
Empreendedor na área de Tecnologia, tendo fundado empresas pioneiras em soluções para internet e e-commerce, e também participado em start-ups de sucesso como Universo Online e Tivit, lançamentos de novos negócios, grandes fusões e reestruturações em empresas como Promon, Telefonica e GVT. Tem grande experiência liderando áreas de Tecnologia, Produtos, Pré-Vendas,Relacionamento e Marketing.

Desde 2015 atua como CIO / CTO do grupo Fleetcor Corpay na América Latina, sendo responsável pelo desenvolvimento e manutenção das soluções tecnológicas que suportam os produtos e aplicações de negócios das suas empresas (Sem Parar, CTF Technologies, Dbtrans, VB Serviços), além da liderança das suas iniciativas de evolução da maturidade digital e inteligência artificial.
É também sócio fundador e conselheiro da Insignia Game (https://www.insigniagame.gg/),, “smartCard-inline”) startup na área de games e loyalty em fase inicial de operação.

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