Quais desafios e oportunidades moldam a governança corporativa?

‎Por Paula Bichuete

A governança corporativa, outrora vista como um conjunto de regras e procedimentos, transformou-se em um pilar estratégico para empresas que buscam sustentabilidade e relevância no mercado global. Em minha trajetória de carreira, e com vasta experiência em Governança Corporativa, testemunhei essa evolução e compreendo a importância de adaptar-se às novas demandas do mundo corporativo.

As Melhores Práticas Mundiais em Governança Corporativa: Uma Busca Constante pela Excelência

As melhores práticas mundiais em governança corporativa estão em constante evolução, impulsionadas por novas tecnologias, mudanças regulatórias e demandas da sociedade. Empresas que buscam a excelência em governança corporativa devem estar atentas a essas tendências e adaptar suas práticas de acordo. Neste cenário cabe a cada um de nós refletir: como podemos garantir que nossas práticas de governança corporativa sejam ágeis e adaptáveis às mudanças do mercado?

É essencial adotar uma abordagem proativa e flexível. Isso inclui a implementação contínua de novas tecnologias para monitoramento e compliance, a atualização frequente das políticas internas conforme mudanças regulatórias e a promoção de uma cultura organizacional baseada em transparência e responsabilidade.

Além disso, a governança deve ser orientada por dados, utilizando ferramentas e/ou técnicas analíticas para antecipar riscos e oportunidades. Conselhos e gestores precisam manter um diálogo aberto com stakeholders e buscar benchmarking com empresas referência no mercado, garantindo que suas práticas estejam alinhadas às melhores tendências globais.

A capacitação contínua dos profissionais envolvidos na governança é outro fator-chave. Investir no desenvolvimento de líderes preparados para lidar com cenários complexos e dinâmicos fortalece a resiliência organizacional e permite uma adaptação rápida às novas exigências do mercado.

Por fim, a governança deve ser tratada como um processo vivo, que exige revisões periódicas e ajustes estratégicos. Criar mecanismos internos de avaliação e melhoria contínua assegura que a empresa esteja sempre um passo à frente, garantindo excelência, competitividade e sustentabilidade no longo prazo. Aqui abordo alguns tópicos como Compliance, Ética, Inovação, Tecnologia e Diversidade, bem como a interação com atividades do chamado Terceiro Setor e trago uma pincelada de curiosidade extra sobre o futuro do trabalho.

A Importância da Ética e Compliance na Governança Corporativa

A ética e a integridade são pilares essenciais da governança corporativa, pois garantem a transparência, a responsabilidade e a sustentabilidade dos negócios. Empresas que colocam esses valores no centro de suas decisões conquistam a confiança de investidores, clientes, colaboradores e da sociedade como um todo. Além de evitar fraudes e irregularidades, a adoção de práticas éticas fortalece a reputação da organização e reduz riscos legais e operacionais. Dessa forma, a governança corporativa se torna um diferencial competitivo, garantindo a perenidade da empresa no mercado.

Para que a ética e a integridade sejam, de fato, arraigadas na cultura organizacional, é fundamental que a alta liderança atue como exemplo, promovendo um ambiente de transparência e diálogo. Códigos de conduta bem estruturados, políticas de compliance robustas e canais de denúncia eficazes são instrumentos essenciais para assegurar que esses princípios sejam praticados no dia a dia da empresa. No entanto, mais do que normas formais, a ética precisa ser vivenciada, incentivando cada colaborador a tomar decisões baseadas nesses valores.

O grande desafio está em garantir que essa cultura seja dinâmica e evolutiva, acompanhando as transformações do mercado e as novas demandas da sociedade. Para isso, investir em treinamentos contínuos, promover discussões abertas sobre dilemas éticos e incentivar a participação ativa dos stakeholders são práticas que fortalecem o compromisso organizacional com a integridade. Empresas que sabem ouvir e envolver suas equipes na construção dessa cultura colhem benefícios a longo prazo, como maior engajamento interno e um ambiente mais colaborativo.

Por fim, a ética e a integridade não devem ser vistas apenas como obrigações, mas como oportunidades para agregar valor ao negócio. Uma empresa que opera com transparência e responsabilidade atrai investidores comprometidos com boas práticas, fideliza clientes e constrói relações sólidas com seus parceiros. Assim, a governança corporativa se fortalece, tornando-se um mecanismo poderoso para o crescimento sustentável e a criação de um legado positivo para a sociedade.

A Parceria Estratégica: Governança Corporativa e a Inovação

A inovação é um motor de crescimento e competitividade para empresas de todos os setores. A governança corporativa pode desempenhar um papel crucial na promoção da inovação, criando um ambiente favorável à experimentação e ao aprendizado. Para isso, é essencial que as lideranças não apenas incentivem novas ideias, mas também estabeleçam processos estruturados para sua avaliação e implementação. Criar comitês de inovação, investir em programas de intraempreendedorismo e oferecer incentivos para colaboradores que apresentem soluções inovadoras são formas eficazes de tornar a inovação parte da cultura organizacional. Além disso, a governança deve atuar garantindo que os riscos associados à inovação sejam gerenciados de maneira estratégica, permitindo que a empresa inove com segurança e responsabilidade.

É sempre possível estimular a inovação em nossa empresa por meio de boas práticas de governança corporativa, especialmente ao instigar as lideranças a participarem ativamente de fóruns de discussão e a abrirem espaço para conversas sobre novas ideias. A inovação pode surgir de qualquer nível hierárquico e de qualquer setor da empresa, tornando essencial a criação de canais acessíveis para que todos possam contribuir.

Desde pequenas melhorias operacionais até grandes transformações estratégicas, cada inovação tem o potencial de agregar valor ao negócio. Para isso, é fundamental que a governança estabeleça um ambiente de confiança e colaboração, onde os erros sejam vistos como parte do aprendizado e onde o pensamento criativo seja valorizado e recompensado.

A Governança Corporativa e a Tecnologia: Uma Aliança Essencial

A tecnologia tem revolucionado a governança corporativa, tornando os processos mais ágeis, transparentes e seguros. Ferramentas digitais como inteligência artificial, blockchain e big data possibilitam uma gestão mais eficiente e baseada em dados, reduzindo riscos e aumentando a confiabilidade das decisões. Empresas que integram essas soluções em seus modelos de governança conseguem monitorar operações em tempo real, aprimorar auditorias internas e garantir conformidade regulatória com mais precisão.

Além de otimizar processos, a tecnologia amplia a transparência, um dos pilares essenciais da governança corporativa. Plataformas digitais permitem o compartilhamento imediato de informações relevantes com acionistas, conselheiros e demais stakeholders, fortalecendo a confiança e reduzindo assimetrias de informação. Softwares de compliance e monitoramento auxiliam no cumprimento de normativas e na prevenção de fraudes, tornando a gestão mais previsível e segura.

A digitalização também aprimora a tomada de decisão, ao transformar dados dispersos em insights estratégicos. Ferramentas de análise preditiva ajudam conselhos e gestores a antecipar cenários e responder proativamente a desafios do mercado. Dessa forma, as empresas ganham competitividade ao alinhar inovação tecnológica com governança responsável, garantindo mais resiliência e sustentabilidade nos negócios.

Para que essa aliança entre tecnologia e governança seja eficaz, é fundamental que as empresas invistam em capacitação e cultura digital. De nada adianta adotar novas ferramentas sem um time preparado para utilizá-las estrategicamente. A governança corporativa moderna deve, portanto, abraçar a tecnologia como uma aliada indispensável, impulsionando a transparência, a eficiência e a tomada de decisões fundamentadas.

A Diversidade como Vetor de Inovação

A diversidade e a inclusão são mais do que princípios éticos; elas são essenciais para impulsionar inovação e melhorar o desempenho organizacional. Empresas que incorporam diversidade em suas lideranças e conselhos tomam decisões mais assertivas e criam culturas resilientes. Equipes diversas são bem mais criativas e capazes de resolver problemas de maneiras inovadoras, pois trazem diferentes perspectivas, experiências, realidades e habilidades para a mesa.

Para que a diversidade não seja apenas uma formalidade, é fundamental que ela seja genuinamente integrada na governança corporativa e na cultura organizacional. Isso começa com a definição de diversidade de forma ampla, que deve englobar não apenas gênero e etnia, mas também diferentes origens socioeconômicas, idades e habilidades. Dessa forma, todas as dimensões da diversidade são valorizadas, garantindo uma abordagem mais inclusiva e abrangente na realidade, nas pequenas ações do quotidiano.

Além disso, a criação de um ambiente inclusivo é essencial para que a diversidade seja realmente eficaz. Isso implica em promover políticas de equidade, garantir que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas, e criar espaços onde todos os membros da organização possam contribuir com suas ideias, bem como trazer a experiência positiva para os ambientes menos abertos a mudanças e pluralidades, buscando, em cada perfil de empresa ou de segmento, uma forma de abordar positiva. Definir metas claras e transparentes de diversidade, com acompanhamento contínuo, é outra forma de evitar que essas ações se tornem apenas retóricas.

Por fim, para garantir que a diversidade seja uma parte central da organização, é necessário monitorar o progresso e instituir uma cultura de feedback contínuo. Treinamentos em competências culturais e a transparência nos processos de decisão também ajudam a criar uma liderança mais inclusiva. Dessa forma, a diversidade genuína não apenas melhora a governança, mas também fomenta a inovação, tornando a organização mais dinâmica e capaz de enfrentar desafios com soluções criativas e sustentáveis.

O Terceiro Setor e o Engajamento Social: Uma Parceria Estratégica

O terceiro setor e o engajamento social desempenham um papel crucial na construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Empresas que estabelecem parcerias estratégicas com organizações do terceiro setor podem gerar impacto social positivo e fortalecer sua reputação. Para medir e comunicar o impacto social de forma transparente e eficaz, é essencial definir indicadores claros e mensuráveis. Isso inclui métricas como número de beneficiados, melhoria na qualidade de vida das comunidades atendidas e avanços em indicadores sociais específicos, como educação, saúde e geração de renda.

A adoção de metodologias como ESG (ambiental, social e governança) e frameworks de mensuração de impacto, como a Teoria da Mudança (como uma norteadora, um método de intervenção para alcance de mudanças específicas) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, ajudam a estruturar a análise dos resultados de forma objetiva.

A transparência na comunicação desse impacto é igualmente fundamental. Relatórios periódicos, dashboards interativos e a divulgação de histórias reais de transformação social são formas eficazes de demonstrar os resultados alcançados. Além disso, a utilização de auditorias independentes e certificações do terceiro setor reforça a credibilidade das ações e assegura que os recursos estejam sendo aplicados de maneira responsável e eficaz.

Por fim, o envolvimento dos stakeholders no processo de mensuração e comunicação fortalece o engajamento e amplia o alcance das iniciativas sociais. Empresas que compartilham seus resultados de forma clara, promovem eventos de prestação de contas e incentivam a participação ativa de colaboradores e comunidades criam um ciclo virtuoso de impacto social positivo. Dessa forma, o compromisso com o terceiro setor deixa de ser apenas uma ação filantrópica e se torna uma estratégia sustentável de valor compartilhado.

A Governança Corporativa e o Futuro do Trabalho: Uma Visão Estratégica

O trabalho está em constante transformação, impulsionado por novas tecnologias, mudanças demográficas e demandas da sociedade. A automação, a inteligência artificial e o trabalho remoto estão reformulando a forma como as empresas operam e interagem com seus colaboradores. Nesse cenário, empresas precisam evoluir para garantir que essas mudanças sejam incorporadas de maneira estratégica, promovendo ambientes que valorizem tanto a inovação quanto o capital humano. Criar diretrizes que equilibrem eficiência tecnológica com o desenvolvimento das pessoas é essencial para que a transição para o futuro do trabalho ocorra de forma sustentável e ética.

Uma governança corporativa eficaz prioriza políticas que incentivem a qualificação contínua dos colaboradores e a adaptação às novas exigências do mercado. Isso pode, certamente, incluir investir em programas de requalificação (reskilling) e aprimoramento (upskilling), que preparem a força de trabalho para os desafios emergentes. Além disso, as empresas, ao garantir que suas lideranças estejam preparadas para gerir equipes diversas e distribuídas, promovendo a inclusão e a equidade em um mundo totalmente globalizado atuam como um catalisador nesse processo, estabelecendo princípios que favoreçam um ambiente de trabalho colaborativo, inovador e flexível.

Por fim, para preparar a empresa para o futuro do trabalho, é fundamental que a governança esteja aberta ao diálogo e à adaptação constante. Criar canais de escuta ativa para colaboradores, acompanhar as melhores práticas globais e fomentar uma cultura organizacional baseada em aprendizado contínuo são medidas essenciais para manter a empresa competitiva. Ao fazer isso, as organizações não apenas se fortalecem internamente, mas também demonstram compromisso com a evolução do mercado e com a construção de um ambiente profissional mais justo e sustentável.

Conclusão

A governança corporativa é, ao mesmo tempo, um desafio e uma fonte de oportunidades para empresas que buscam prosperar em um cenário dinâmico e imprevisível. O equilíbrio entre inovação, inclusão e sustentabilidade será um dos principais diferenciais para organizações que desejam se destacar no futuro do trabalho. A evolução da governança não é um luxo, mas uma necessidade para garantir a perenidade dos negócios e sua relevância na sociedade. Empresas que compreendem essa necessidade e adotam práticas de governança flexíveis, transparentes e estratégicas estarão sempre um passo à frente, prontas para enfrentar os desafios e aproveitar as delícias de um mundo em constante transformação.

Paula-Bichuete

CONSELHEIR@

Paula Bichuete

Executiva da área jurídica com mais de 25 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais. Experiência em gestão estratégica, liderança, negociações, governança corporativa e compliance, SOX, FCPA, atuando fortemente em operações internacionais e nacionais e gerindo departamentos jurídicos com abrangência da América Latina e implementação de programas de controle e gestão estratégica de riscos.

Atua na Valeo Sistemas Automotivos, empresa francesa de autopeças, tendo atuado em diversos setores da economia, em empresas T4F, EPTV, Elektro, Bank Boston, Metrored, dentre outras.

Formada em Direito pela USP/Largo São Francisco, com Pós Graduação em Gestão Empresarial com ênfase em Marketing Estratégico pela PUCCAMP e com MBA na Fundação Dom Cabral com foco em gestão estratégica.

Conselheira no CIESP/FIESP Campinas (2022-2025).

Conselheira de Administração do ChildFund Brasil (2022-2025)

Presidente da Sociedade Brasileira de Sommeliers (2023-2026)

Mentora em posicionamento de carreira, com foco em habilidades comportamentais. Participante do Jurídico de Saias, coletivo de advogadas atuantes em jurídicos de empresas e do WLM – Women in Law Mentoring, sendo mentora de carreira de jovens advogadas

Participante ativa em projetos de equidade e inclusão múltipla, com foco em melhoria de performance e resultados para todos os stakeholders, bem como no estabelecimento de políticas de governança corporativa, fornecendo transparência e mecanismos de proteção, incluindo conceitos de ESG.

Reconhecida 4 vezes pela Análise Editorial entre os “Mais Admirados” em Gestão de Departamentos Jurídicos, bem como 2 vezes pela The Legal 500 GC Powerlist.

Recentemente, escritora! Co-autora do livro “O vinho por elas” – aqui foi 1 capítulo, logo será uma coleção de contos, mais além um livro!

Mãe de gatos (ou filha deles), enófila, mergulhadora, leitora, amante de música de vários gêneros, risonha, introspectiva, sonhadora, filha de professores, aquariana, multifacetada.

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