Estamos reconhecendo quem as pessoas são ou quem esperamos que sejam?

‎Por Eduardo Marçal

Reconhecer o outro é mais do que validar comportamentos: é, muitas vezes, reforçar aquilo que nos interessa ver. Em outras palavras, enaltecemos na outra pessoa condutas que ressoam com nossos próprios desejos, expectativas ou necessidades.

Essa dinâmica é natural — mas carrega uma armadilha silenciosa: ao reforçar uma imagem que nos é conveniente, podemos acabar cristalizando o outro em um papel que já não o representa (ou talvez nunca tenha representado).

No ambiente atual, em que carreiras se tornaram cada vez mais fluidas, híbridas e não-lineares, essa rigidez pode ser especialmente limitante. Como alguém se reinventa profissionalmente se todo reconhecimento que recebe a ancora em uma versão desatualizada de si mesma? Como atualizar seu “branding pessoal” de forma que seja aditiva — acumulando camadas de identidade — e não substitutiva, como quem apaga um histórico?

Isso nos leva a uma pergunta essencial para os líderes: estamos reconhecendo as pessoas pelo que elas são hoje, pelo que queremos que elas sejam — ou pelo que elas estão tentando se tornar? E, mais importante: como podemos dar um feedback que impulsione o movimento da identidade e não a estagne?

Liderar no mundo contemporâneo exige um olhar adaptativo, generoso e sintonizado com as transições do outro. É preciso cultivar a sensibilidade para reconhecer não só o que é, mas o que pode vir a ser.

Ajudar alguém a construir uma imagem que seja coerente, plural e evolutiva — sem se tornar confusa — talvez seja uma das formas mais potentes de reconhecimento que um líder pode oferecer.

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CONSELHEIR@

Eduardo Marçal

É formado em Engenharia de Produção pela UFSC com graduação sanduíche na University of Ulsan na Coreia do Sul. Tem experiência em projetos de transformação, atuando na América do Norte e América do Sul em energias renováveis, varejo, agronegócio e bens de consumo.

Atualmente, trabalha na Atlas Renewable Energy, liderando iniciativas de transformação a nível global, resolvendo desafios que emergem da interseção entre pessoas, processos e tecnologia.

Nas horas vagas, divide seu tempo entre leitura, escrita, contrabaixo e corrida de rua.