Você está subestimando o poder do networking?

‎Por Carolina Morawetz

Existe uma diferença fundamental entre conhecer pessoas e construir relações que realmente adicionem valor. O networking, muitas vezes confundido com trocar cartões ou adicionar contatos nas redes sociais, vai muito além da superficialidade. Ele é uma estratégia contínua de construção de vínculos genuínos. Não é exagero dizer que muitas das melhores oportunidades da vida surgem não apenas do que se sabe, mas de quem se conhece.

Criar uma rede sólida exige tempo, consistência e, principalmente, interesse real pelo outro. Pessoas percebem quando o contato é motivado apenas por interesses momentâneos. O verdadeiro networking é baseado em oferecer valor antes de pedir algo em troca. Quando isso acontece, a confiança se estabelece. 

Profissionais com seniority e experiência entendem que cultivar relacionamentos é tão importante quanto desenvolver competências técnicas. Por isso hoje se fala tanto sobre o valor dos “soft skills”. Mesmo as mentes mais brilhantes enfrentam barreiras quando estão isoladas. Já quem se conecta bem tem acesso a insights, mentores, parcerias e caminhos que simplesmente não apareceriam de outra forma. O networking atua como um acelerador silencioso de carreiras e projetos.

A presença em eventos, encontros e fóruns é uma das formas de ampliar conexões. Mas, mais do que marcar presença, o importante é estar aberto a ouvir, compartilhar experiências e entender contextos. Não se trata de autopromoção, e sim de construção de reputação. Pessoas que se mostram úteis, confiáveis e generosas acabam sendo lembradas nos momentos decisivos.

Dentro das empresas, o networking também é essencial. Muitas decisões de promoção ou envolvimento em projetos passam por recomendações informais. Estar presente, colaborar com colegas de outras áreas, entender o ecossistema interno são atitudes que fazem diferença. Às vezes, é no café com alguém de outro departamento que nasce a chance de um novo desafio.

Em ambientes empreendedores, a rede de contatos pode ser ainda mais determinante. Investidores, parceiros estratégicos, clientes iniciais e até mesmo talentos para compor um time são frequentemente encontrados por meio de conexões. E essas conexões, quando bem cuidadas, crescem com você, criando um capital social que se valoriza com o tempo.

Um erro comum é pensar em networking apenas quando se precisa de algo. Isso enfraquece o relacionamento e transmite oportunismo. O ideal é manter os vínculos ativos, ainda que de maneira simples, como uma mensagem de reconhecimento, um artigo interessante enviado, um parabéns no dia do aniversário ou um convite para uma conversa informal. Pequenos gestos mantêm as pontes vivas.

Outro ponto importante é entender que networking não é apenas com pessoas mais influentes ou hierarquicamente superiores. Muitas vezes, colegas de trajetória tornam-se líderes, fundadores, diretores ou investidores. Olhar apenas para cima é uma miopia que limita o alcance da rede. As conexões horizontais são tão poderosas quanto as verticais.

A escuta ativa é uma habilidade essencial para quem deseja se destacar nas conexões. Em vez de apenas pensar no que vai dizer, o foco deve estar em compreender o outro, identificar necessidades, perceber como é possível contribuir. A empatia, nesses casos, transforma interações casuais em relações duradouras.

Também é fundamental cuidar da imagem pessoal nas redes. A presença digital é hoje uma extensão do networking. Compartilhar experiências, posicionamentos e conquistas com autenticidade pode ampliar o alcance da sua rede e atrair conexões com interesses similares. Mas é importante que isso seja feito com consistência e verdade.

Não existe fórmula mágica para construir uma rede valiosa, mas existe um princípio que nunca falha: generosidade. Quem ajuda, escuta e compartilha tende a ser lembrado. E, com o tempo, esse ciclo de troca se fortalece, criando um sistema onde todos ganham. O networking verdadeiro é baseado em confiança e na disposição para somar.

Eu sempre gostei de me conectar com pessoas e de conectar pessoas entre si. Poderia compartilhar aqui muitas das minhas experiências e sucessos, vou me centrar em dois momentos onde o networking foi fundamental: o primeiro se relaciona a um movimento interno de carreira dentro de uma corporação onde eu já trabalhava há 6 anos. O meu objetivo era ampliar a cobertura da minha posição na América Latina para outras regiões como África, Oriente Médio, Rússia e parte da Europa. Para isso o primeiro que tive que fazer foi me relacionar com pessoas que eu não conhecia mas que eram estratégicas para poder concretizar essa possibilidade de conseguir a nova posição que eu queria. Foi desafiante, interessante, de muito aprendizado, árduo trabalho, muita escuta, constância absoluta e dedicação. O segundo caso que destaco foi quando tive que iniciar do zero a minha rede de contatos em um ecossistema totalmente novo para mim ao sair do mundo corporativo e passar para o mundo das startups e fintechs: novamente foi incrível, desafiante, gratificante. 

Com o tempo, o networking se torna mais do que uma ferramenta. Ele passa a ser uma filosofia de vida.

Também é importante lembrar que networking ultrapassa os limites do trabalho. Muitas amizades profundas nascem em contextos profissionais e se expandem para outras dimensões da vida. A rede se torna apoio emocional, fonte de inspiração e até mesmo um alicerce em momentos difíceis.

Construir uma rede é como plantar um jardim. Requer cuidado, atenção, paciência e, sobretudo, intenção. E, assim como um jardim, quando bem cultivado, floresce em formas inesperadas e generosas. Cada encontro pode ser uma semente, cada conversa um solo fértil, cada gesto uma chance de multiplicar caminhos.

Se há algo que diferencia os profissionais mais realizados dos demais, é o poder da rede que construíram. São pessoas que entenderam cedo que ninguém cresce sozinho. Que reconheceram no outro uma ponte, não um obstáculo. Que souberam dar antes de pedir, ouvir antes de falar e construir antes de cobrar.

Por fim, a maior força do networking está na sua essência humana. Conecte, colabore, use muita empatia. Em um mundo cada vez mais digital e automatizado, as conexões humanas seguem sendo o ativo mais valioso de qualquer trajetória. Porque no fim das contas, são as pessoas que abrem as portas. E manter essas portas abertas depende da forma como você cultiva suas relações todos os dias.

Carolina Morawetz

CONSELHEIR@

Carolina Morawetz

Carolina Morawetz é executiva de marketing e crescimento estratégico com mais de 20 anos de experiência impulsionando a expansão de negócios e o sucesso de entrada no mercado na América Latina, EUA e EMEA. Ela ocupou cargos de liderança em empresas globais de tecnologia e fintech, incluindo Cisco e Simetrik, onde se especializou em desenvolvimento de mercado, engajamento de executivos de alto escalão e tomada de decisões baseada em dados. Líder trilíngue (espanhol, português e inglês) com expertise multicultural, ela é conhecida por sua capacidade de conciliar estratégia e execução em ambientes dinâmicos e de alto crescimento.