IA repete o ciclo da internet: destrói funções e cria profissões

‎Por Eduardo Marçal

Há um grande paralelo entre a ascensão da IA e a popularização da internet.

Nos anos 2000, o mundo corporativo entrou em pânico.
A digitalização prometia eficiência, mas ameaçava o modo como as empresas funcionavam.

  • Secretárias temiam o e-mail corporativo.
  • Operadores de telemarketing viam os primeiros chatbots como o começo do fim.
  • Redações inteiras acreditavam que os portais online matariam o jornal impresso.
  • Bancos fecharam agências porque o “internet banking” parecia o prenúncio do desemprego em massa.

O impacto foi taxado como destrutivo: menos vagas de entrada, menos tarefas operacionais, menos tempo para “aprender fazendo”.
Mas, como toda revolução tecnológica, o que começa como choque de substituição tende a evoluir para ciclo de criação.

Novas categorias de trabalho surgiram: Web designers, analistas de SEO, gestores de e-commerce, social media managers, UX designers, cloud engineers, desenvolvedores full-stack, criadores de conteúdo e influenciadores digitais.
Profissões que simplesmente não existiam antes da virada tecnológica.

E mais do que isso: a internet redefiniu as próprias fronteiras de valor econômico.
As empresas que entenderam a nova lógica Google, Amazon, Meta e Netflix, nasceram como experimentos e se tornaram as mais valiosas do mundo.
A tecnologia não apenas trocou cargos.
Ela redefiniu o jogo corporativo inteiro.

O mesmo padrão se repete agora com a IA

A IA destrói rotinas, mas recria camadas de integração. As tarefas automatizadas dão lugar a funções que exigem síntese, julgamento e tradução entre mundos.
Quem entende o contexto de negócio, interpreta modelos e ajusta outputs de IA está ocupando o espaço que antes era puramente operacional.

Surgem funções híbridas, absorvidas gradualmente por papéis existentes e modernizando seus escopos e descrições:

  • O analista se torna curador de dados.
  • O gerente de produto passa a orquestrar sistemas inteligentes.
  • O profissional de comunicação atua como arquiteto de prompts.
  • O especialista em governança começa a desenhar frameworks para decisões algorítmicas.

Cargos tradicionais estão sendo reescritos em tempo real, e muitos dos novos ainda nem têm nome.

Em suma, no curto prazo, há contração e pânico em conjunto com os primeiros sinais de transição. No médio e longo prazo, há reconfiguração: o trabalho se desloca do operacional para o interpretativo, das rotinas previsíveis para os sistemas que exigem discernimento humano.

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CONSELHEIR@

Eduardo Marçal

É formado em Engenharia de Produção pela UFSC com graduação sanduíche na University of Ulsan na Coreia do Sul. Tem experiência em projetos de transformação, atuando na América do Norte e América do Sul em energias renováveis, varejo, agronegócio e bens de consumo.

Atualmente, trabalha na Atlas Renewable Energy, liderando iniciativas de transformação a nível global, resolvendo desafios que emergem da interseção entre pessoas, processos e tecnologia.

Nas horas vagas, divide seu tempo entre leitura, escrita, contrabaixo e corrida de rua.