DIAGNÓSTICO E EXECUÇÃO: POR QUE A MAIORIA DAS INICIATIVAS DE CX FRACASSA?

‎Por Marcelo Ribas

Nos últimos anos, a experiência do cliente virou palavra de ordem em praticamente todos os setores. Mas quando o assunto é B2B, ainda vejo muitas empresas tentando adaptar, sem muito sucesso, modelos pensados para o varejo em modelos para relações corporativas muito mais complexas. O resultado é um conjunto de boas intenções que não se sustentam na prática. Atender empresas exige outro olhar. No B2B, o “cliente” quase nunca é uma pessoa só. São vários interlocutores, com papéis diferentes na tomada de decisão, e expectativas que vão muito além do produto ou serviço entregue. Nessas relações, o que pesa é o conjunto da obra: o processo de venda, o onboarding, o suporte técnico, a flexibilidade contratual, a transparência na comunicação, etc. Tudo isso conta na hora de renovar (ou não) um contrato. Em projetos que venho conduzindo com organizações B2B de diversos setores, vejo um erro se repetir com frequência: tratar todos os clientes da mesma forma. Falta segmentação real, baseada em valor e potencial de relacionamento. Um parceiro estratégico e um pequeno revendedor não deveriam ter a mesma régua de atendimento e muito menos serem avaliados pelo mesmo NPS. Isso distorce a percepção sobre a experiência e impede ações mais direcionadas de retenção ou expansão. Outro ponto que costuma travar a evolução do CX em empresas B2B é a falta de governança. O atendimento ao cliente está pulverizado entre diferentes áreas, cada uma com sua meta, sua régua e sua linguagem. Quando uma reclamação chega, ninguém sabe ao certo quem deveria agir. E muitas vezes, o cliente já teve contato com três ou quatro áreas antes de obter alguma resposta efetiva. O desgaste é inevitável. Agora, o que me anima é saber que esse cenário pode mudar. E muda muitas vezes quando há pela empresa disposição para olhar com profundidade para dentro de casa. Maturidade em CX não se improvisa: ela se constrói. Começa com um bom diagnóstico da jornada, passa pela clareza sobre quais momentos realmente importam para o cliente e ganha força quando áreas e lideranças se alinham em torno de uma visão comum. É justamente nesse processo que o apoio de uma consultoria especializada faz diferença. O papel de uma consultoria não é trazer fórmulas prontas, mas ajudar a organizar a casa, traduzir o discurso em ação e trazer método para as decisões. É separar o que é ruído do que realmente move o ponteiro. Na prática, isso significa ajudar empresas a entender quais dores da operação estão impactando o cliente, quais oportunidades de melhoria fazem sentido atacar primeiro e como alinhar processos, canais, indicadores e times para entregar uma experiência consistente. E no B2B, consistência vale mais que encantamento. O que mais ouço de executivos é: “estamos fazendo muita coisa, mas ainda não sentimos resultado”. Normal. No B2B, o desafio não é fazer mais, e sim fazer melhor. Com foco, inteligência e alinhamento. Se você lidera uma empresa que atende clientes corporativos, vale se perguntar: quais são os clientes que mais geram valor para o seu negócio? E como tem sido, de fato, a experiência deles com sua marca? CX no B2B não é modismo nem fórmula mágica. É construção estratégica. E começa nos bastidores.

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CONSELHEIR@

Marcelo Ribas

Marcelo Ribas possui sólido conhecimento em experiência e atendimento ao cliente.

Com mais de 20 anos de liderança em multinacionais em áreas como Experiência do Cliente, Atendimento, Diagnóstico e Qualidade conduziu projetos de transformação digital, reestruturação de operações e redução de taxas de contato e reclamações gerando elevado impacto em eficiência e atingindo níveis recordes de satisfação de clientes.

Marcelo é formado em Administração e possui certificações em Transformação Digital, Inteligência Artificial, Inovação, Negócios Internacionais e Champion Lean Six Sigma.