VOCÊ COMPRARIA DE NOVO… OU SÓ FOI BEM ATENDIDO?

‎Por Thaís Vieira

Você já saiu de um restaurante e pensou: “A comida estava ótima, mas nunca mais volto lá”? Ou o contrário: o hambúrguer era mais ou menos, mas o carinho com que te atenderam fez você querer voltar?

Se sim, você já viveu na pele o que este capítulo quer mostrar: produto e atendimento andam juntos SEMPRE.

Durante muito tempo, nos ensinaram a ver essas duas coisas como se fossem lados opostos. Como se fosse possível escolher: “Prefiro um bom produto, mesmo com atendimento ruim” ou “Prefiro ser bem atendido, mesmo que o produto não seja lá essas coisas”.

Mas a verdade é: isso não funciona por muito tempo. E não importa se você é cliente, vendedor, empreendedor ou funcionário. A experiência que se entrega (ou recebe) é o que define se as pessoas voltam, recomendam ou desistem.

POR QUE SEPARAR PRODUTO DE ATENDIMENTO É UMA ARMADILHA

Vamos imaginar dois cenários:
• Cenário 1: Você compra um celular top de linha, mas a loja entrega fora do prazo, não responde suas dúvidas e te trata com descaso.
• Cenário 2: Você vai a um consultório onde te tratam super bem, mas o atendimento atrasa, o ambiente é confuso e o serviço deixa a desejar.

Nos dois casos, algo se quebra. Você pode até tentar de novo, mas com o pé atrás. Isso acontece porque o cérebro humano não separa “produto” de “atendimento”. O que fica gravado é a experiência completa.

E os números comprovam isso:
• Clientes estão dispostos a pagar até 16% a mais por uma experiência excelente, mesmo que o produto seja igual a outros (PwC, 2018).
• Aumentar em apenas 5% a fidelidade dos clientes pode elevar os lucros em até 95% (Bain & Company).

Ou seja: não é só sobre o que você entrega, mas como você faz isso.

A EXPERIÊNCIA ESTÁ EM TUDO (MESMO)

Pense nas suas últimas semanas. Quantas vezes você:
• Parou de comprar em um lugar porque foi mal atendido?
• Indicou um serviço porque foi bem recebido, mesmo que o preço fosse um pouco maior?
• Reclamou (mesmo que só mentalmente) de uma empresa que parecia “nem aí” para você?

A experiência do cliente não é um papo de grandes empresas ou marketing moderno. Ela está no cabeleireiro que te chama pelo nome, no entregador que sorri, na farmácia que te manda uma mensagem perguntando se deu tudo certo.

Está também no profissional liberal que responde com gentileza, no atendente que resolve sem enrolação e no aplicativo que funciona direitinho.

E se você também atende alguém — mesmo que só parte do tempo — você faz parte disso tudo.

ATENDIMENTO TAMBÉM É PRODUTO

Muita gente acha que atendimento é um “plus”, um extra. Mas não é. Atendimento é parte do que você está vendendo. Um exemplo fácil: quando você vai a um consultório médico, você não compra só o diagnóstico. Você compra o tempo, a escuta, o jeito como o médico te trata. Isso tudo é parte do produto final.

Por isso, empresas que tratam o atendimento como algo separado do resto, acabam tropeçando. E aqui vai um dado importante: 86% dos consumidores estão dispostos a pagar mais se forem bem atendidos durante toda a jornada de compra (PwC). Ou seja, até aquele WhatsApp bem escrito ou um “obrigado” no final fazem diferença.

Não é sobre ser perfeito. É sobre cuidar de cada etapa como se ela fosse a mais importante. Porque, para o cliente, ela é.

ESCUTAR MUDA TUDO

A melhor forma de melhorar a experiência é simples: ouça quem usa seu serviço ou produto. Você já se perguntou por que muitas empresas erram feio mesmo tendo tudo para dar certo? A resposta, muitas vezes, é: não escutaram o cliente. Quem escuta de verdade — não só pergunta, mas presta atenção — consegue resolver mais rápido, criar soluções melhores e acertar onde os outros erram.

E nem precisa de pesquisas complexas. Às vezes, basta:
• Perguntar “como foi sua experiência?” após o atendimento;
• Observar padrões de reclamações ou elogios;
• Conversar com quem volta sempre e entender o porquê.

Empresas que fazem isso direitinho melhoram a satisfação dos clientes em até 15%. E os funcionários também se engajam mais, afinal, trabalhar em um lugar onde o cliente é ouvido motiva.

MAS E QUANDO SÓ O ATENDIMENTO É BOM?

Em uma enquete que fiz, mais de 90% das pessoas disseram que um bom produto não compensa um atendimento ruim. E, ao mesmo tempo, 62% disseram que um bom atendimento pode, sim, salvar um produto mais ou menos.

O que isso mostra?

Mostra que, no fundo, as pessoas valorizam como são tratadas. Mas isso não é desculpa para entregar um produto ou serviço mal feito.

Um bom atendimento pode “apagar o incêndio” em situações pontuais. Mas se a entrega continuar falhando, a paciência acaba. E o cliente vai embora.

A ESCOLHA CERTA: NÃO ESCOLHER

Por isso, a pergunta que precisa ficar não é “qual é mais importante: o produto ou o atendimento?”

A pergunta certa é:

Como posso entregar algo bom e tratar bem quem compra de mim, ao mesmo tempo?

Seja vendendo bolo no pote, dando aulas, consertando carros ou atendendo em um call center, experiência é tudo o que você entrega, e como você entrega.

As pessoas lembram do que você faz por elas. Lembram do jeito como você olha, do tempo que você dedica, da honestidade com que resolve um erro. E isso vale ouro. Vale retorno. Vale indicação.

PARA REFLETIR:
Você tem prestado atenção nas experiências que vive como cliente? E nas experiências que entrega aos outros — no trabalho, nos seus serviços ou no seu dia a dia?

Talvez esteja aí a chave para melhorar não só o que você oferece, mas também como você é percebido.

Porque no fim das contas, ninguém quer escolher entre ser bem tratado ou receber algo de qualidade. A gente quer os dois. E, quando encontra, volta. E conta para todo mundo.

Thaís-Vieira

CONSELHEIR@

Thaís Vieira

Tem 29 anos, nascida em Ribeirão Preto – interior de São Paulo, atualmente residente em Recife. Formada em Recursos Humanos, Pós Graduanda em Gestão de Pessoas, Especialista em Sucesso e Experiência do Cliente. Atuando na área de Sucesso do Cliente e Consultoria há mais de 5 anos.