Em um mercado cada vez mais repleto e, por consequência, saturado de soluções digitais, criar um bom produto já não basta. Para ganhar tração, consolidar espaço e gerar conexão real com seu público, a marca do produto precisa comunicar valor desde o primeiro contato. Isso começa pelo nome e se solidifica com uma identidade visual que reflita o posicionamento, a proposta e a experiência que o produto entrega. Embora muitas empresas ainda tratem o processo de naming e design como uma etapa criativa ou estética, essas são decisões estratégicas. O nome é o primeiro pitch silencioso da solução. A identidade visual, por sua vez, é a primeira emoção que ela provoca. Ambos funcionam como pontos de entrada para a percepção de valor e, por isso, precisam ser construídos com intenção, contexto e visão de longo prazo. Por exemplo, um estudo de caso apresentado pela McKinsey mostrou que um banco, ao focar em educar seus clientes sobre finanças em vez de apenas vender produtos, aumentou suas vendas em 25% e conquistou maior confiança dos consumidores, evidenciando o impacto positivo de uma abordagem centrada no design e na experiência do cliente. Em outras palavras, quando bem feito, o design não apenas encanta. Ele vende, fideliza e constrói diferencial competitivo.
O NOME COMO PONTO DE PARTIDA ESTRATÉGICO
Engana-se quem encara o processo de nomear um produto como uma escolha apenas criativa. Um bom nome precisa ir além da originalidade: ele deve ser relevante, compreensível e memorável. Acima de tudo, deve ser coerente com o posicionamento da marca e com a linguagem do público. Nomes excessivamente abstratos, embora soem sofisticados internamente, muitas vezes falham em gerar tração no mercado. Por outro lado, nomes descritivos demais correm o risco de limitar o produto à sua versão atual, impedindo sua expansão futura. O equilíbrio ideal está em nomes que comuniquem valor, mesmo que de forma indireta e, ao mesmo tempo sejam suficientemente flexíveis para acompanhar a evolução da solução. Empresas como Notion, Figma e Asana apostaram em nomes inventados ou evocativos, o que permitiu uma evolução de portfólio sem precisar reposicionar a marca a cada nova funcionalidade. E, claro, nem preciso falar do Google. Já plataformas como Salesforce e HubSpot optaram por no mes compostos que comunicam claramente seu território de atuação, mas sem fechar portas para outras ofertas. Em todos os casos, a decisão de naming foi orientada pela estratégia de produto, não apenas pela sonoridade. Outro ponto im- portante nesse processo é a validação. Testar o nome com usuários reais, em diferentes contextos de uso e idiomas, reduz consideravelmente o risco de rejeição ou con- fusão. A Interbrand, por exemplo, enfatiza que nomes fortes requerem uma identidade de marca única que conecte todos os pontos de contato atuais e futuros.
IDENTIDADE VISUAL: COERÊNCIA, NÃO APENAS ESTÉTICA
Se o nome é o que se diz, a identidade visual é o que se sente. Ela traduz a essência do produto em elementos visuais como logotipo, paleta de cores, tipografia e linguagem gráfica. Mas sua função vai além da estética. Uma identidade bem construída ajuda a estabelecer confiança, familiaridade e diferenciação, especialmente em mercados nos quais a experiência é 100% digital e os pontos de contato são visuais desde o primeiro clique. De acordo com um relatório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o cérebro não processa dois estímulos simultaneamente, mas alterna sua atenção entre eles, resultando em perda de parte das informações. Por isso, a primeira impressão de um produto digital tende a ser visual, e ela influencia diretamente a percepção de qualidade, inovação e credibilidade. Nesse contexto, a identidade visual precisa ser consistente com a experiência do produto. Se a solução é voltada à eficiência e à performance, por exemplo, o design pode explorar cores sólidas, tipografia direta e formas retas. Se o produto é voltado ao bem-estar, educação ou criatividade, é natural adotar uma linguagem mais leve, acolhedora e fluida. O mais importante é que a estética não seja um fim em si mesma, mas sim um reflexo da experiência e do posicionamento estratégico.
A IDENTIDADE COMO ATIVO VIVO
Um erro comum é tratar naming e identidade como entregas pontuais, algo a ser resolvido no momento do lançamento e depois deixado de lado. Na prática, marcas fortes são aquelas que evoluem com o produto, sem perder sua essência. Com o tempo, é natural que a solução mude, que o mercado se transforme e que os usuários desenvolvam novas expectativas. A identidade precisa acompanhar esses movimentos com consistência e fluidez, sempre respeitando os princípios originais, mas se atualizando em linguagem, formato e expressividade. Empresas como Duolingo e Nubank são exemplos claros dessa maturidade. Ambas criaram identidades visuais tão fortes e reconhecíveis que se tornaram ícones culturais, e mesmo ao evoluírem, preservaram o núcleo emocional da marca. Esse tipo de consistência não acontece por acaso: é resultado de uma governança de marca bem estruturada e integrada aos times de produto e experiência.
BRANDING COMO PARTE DA ESTRATÉGIA DE PRODUTO
Criar um nome eficaz e construir uma identidade visual consistente não são tarefas periféricas ou meramente estéticas. São decisões estruturais, que definem como o produto será percebido, lembrado e, sobretudo, escolhido no mercado. Em um cenário em que a diferenciação vai muito além da funcionalidade, as marcas que se destacam são aquelas que comunicam valor com clareza e emoção desde o primeiro contato. Isso exige um olhar mais estratégico sobre naming e identidade, integrando esses elementos à narrativa do produto, à experiência do usuário e à visão de longo prazo da empresa. Ignorar essa etapa, tratá-la como um “entregável de design” ou deixá-la para o final do processo é um risco real. A marca de um produto não deve ser pensada como um complemento, mas como um vetor de crescimento, posicionamento e conexo com o público. Portanto, se o objetivo é lançar (ou reposicionar) um produto com ambição de mercado, não basta que ele funcione bem. Ele precisa significar algo, parecer confiável e ser lembrado com facilidade. E isso começa, inevitavelmente, por um bom nome e uma identidade que realmente representem tudo o que ele veio resolver.