DE QUE FORMA A AGILIDADE NA ESTRATÉGIA DE TI CONECTA A VISÃO À EXECUÇÃO NAS EMPRESAS?

‎Por Jorge Luís Cordenonsi

O grupo de processos estratégicos é o cérebro da operação de TI, onde a visão de futuro da empresa é traduzida em diretrizes tecnológicas. Tradicionalmente, essa esfera era marcada por planejamentos anuais, rígidos e de longo prazo. A aplicação de uma mentalidade ágil nesse nível não elimina o planejamento; transforma-o em um processo vivo, adaptativo e iterativo, capaz de responder às incertezas do mercado.

A seguir, detalha-se como os princípios ágeis podem ser aplicados aos principais processos estratégicos de TI.

  1. Administrar a Estratégia de TI e o Alinhamento com o Negócio
    Em vez de um plano estratégico estático, a abordagem ágil propõe a definição de uma visão clara de produto e negócio, desdobrada em Objetivos e Resultados-Chave (OKRs) de curto ciclo. Os OKRs funcionam como “sprints estratégicos”, nos quais a liderança define metas ambiciosas e mensuráveis. Ao final de cada ciclo, os resultados passam por uma retrospectiva estratégica que permite ajustes com base em dados concretos e aprendizados reais, garantindo alinhamento dinâmico e contínuo entre tecnologia e negócio.
  2. Administrar o Valor de TI
    No contexto ágil, o conceito de valor vai além do ROI tradicional. A prioridade passa a ser a maximização do valor entregue ao cliente e ao negócio. A estratégia de TI é guiada por hipóteses, como: “Acreditamos que investir na tecnologia X aumentará a retenção em Y%”. Essas hipóteses são validadas por MVPs e experimentos rápidos. O valor é medido pelo impacto real nos indicadores estratégicos satisfação, receita, churn e não pela simples entrega de projetos dentro do prazo e orçamento.
  3. Administrar as Novas Tecnologias e a Arquitetura
    A inovação deixa de ser um projeto pontual e passa a ser uma capacidade permanente. A área de TI adota vigilância tecnológica contínua, avaliando tendências capazes de gerar novas oportunidades. A arquitetura evolui para modelos flexíveis e modulares, como microsserviços e APIs, habilitando adaptação rápida e inovação frequente. A adoção de novas tecnologias ocorre por meio de spikes, esforços de pesquisa com tempo limitado para reduzir incerteza e orientar decisões estruturantes.
  4. Administrar as Expectativas dos Clientes em Nível Estratégico
    A liderança de TI assume papel de parceira estratégica das áreas de negócio. Isso requer comunicação constante e participação ativa nas discussões sobre o futuro dos produtos. Em vez de reagir a demandas, TI antecipa oportunidades, apresentando possibilidades tecnológicas que ampliam ou otimizam a experiência do cliente. O mapeamento da jornada do cliente e outras ferramentas estratégicas são utilizados para identificar pontos de dor e oportunidades de impacto.

A aplicação da agilidade no nível estratégico transforma a TI em motor de crescimento. Ela possibilita que a organização navegue melhor em ambientes complexos, faça apostas menores e mais inteligentes, aprenda rapidamente com os resultados e assegure que cada investimento contribua diretamente para os objetivos de negócio.

JORGE LUÍS CORDENONSI

CONSELHEIR@

Jorge Luís Cordenonsi

Ampla experiência em Tecnologia da Informação (TI). Atualmente, atua como Conselheiro, Mentor e Advisor de TI. Ao longo de sua carreira, Cordenonsi ocupou posições de liderança em diversas empresas de destaque, incluindo IBM, Europ Assistance, First Data (Fiserv), General Motors (GM), Walmart, Sodexo e Compass GRSA.

Sua formação acadêmica é sólida, com graduação em Análise de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1989), mestrado em Gerenciamento de Sistemas de Informação pela mesma instituição (1994) e doutorado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (2001).

Em reconhecimento à sua atuação no setor, foi listado no HITEC 50 de 2024, que destaca líderes hispânicos em tecnologia. Além de suas funções executivas, Cordenonsi também contribuiu como professor na Fundação Getulio Vargas (FGV), demonstrando compromisso com a formação de novas lideranças em TI.

Atua ainda como Conselheiro Assessor da CIONET Brasil e como Conselheiro Consultivo do Grupo Ivy, reforçando sua participação estratégica no desenvolvimento do ecossistema de tecnologia e gestão no país.