DE QUE FORMA OUVIR A VOZ DO CLIENTE PODE SE TORNAR UMA VANTAGEM COMPETITIVA PARA AS EMPRESAS CRESCEREM MAIS?

‎Por Eduardo Rodrigues

Imaginemos uma empresa onde cada decisão estratégica nasce da compreensão profunda do cliente, num cenário em que convivemos com agendas cada vez mais cheias e, muitas vezes, conflitantes, da pressão por inovação ao compromisso com sustentabilidade, passando por margens apertadas e mudanças regulatórias, ouvirmos o cliente não é mais um diferencial, é um pilar para gerar valor e garantir relevância.
Segundo estudos da Deloitte, a inovação e o uso inteligente de dados de clientes seguem no topo das prioridades de executivos globais, e isso não deve mudar nos próximos anos. Tudo isso porque uma boa experiência multiplica a probabilidade de confiança, recompra e recomendação, mas de formas diferentes em cada indústria e contexto cultural. Ou seja, não basta “ouvirmos”, precisamos entender o que realmente move o comportamento de cada segmento e agir localmente.

A VOZ DO CLIENTE COMO MOTOR DE ESTRATÉGIA
Empresas brasileiras já vêm mostrando que a integração entre estratégia de negócio e voz do cliente pode gerar resultados sólidos e duradouros. A Natura, por exemplo, construiu seu ecossistema digital com base em comunidades de consultoras e clientes, que ajudam a co-criar produtos, campanhas e até soluções logísticas. Essa escuta estruturada não só impulsiona vendas, mas também fortalece laços afetivos com a marca. O Inter transformou o relacionamento com correntistas em uma plataforma viva de insights. Cada interação no app, cada atendimento no chat e cada comentário em redes sociais alimenta ajustes em jornadas, ofertas personalizadas e novos serviços, um ciclo de melhoria contínua que mantém a empresa competitiva mesmo frente a bancos tradicionais. Quando olhamos para segmentos mais tradicionais, como a indústria, temos ótimos exemplos. Um deles é a Solar, 2a maior fabricante do sistema Coca-Cola no Brasil, onde atuo liderando UX para a digitalização do relacionamento B2B. Mais do que simplificar pedidos de compras, estamos construindo um ecossistema omnichannel que conecta todas as jornadas do cliente, oferecendo cada vez mais personalização e conveniência, trazendo a voz do cliente para o centro das decisões com nossos executivos.

ESTRATÉGIA VIVA E ORIENTADA POR DADOS
A conexão entre negócio e cliente, como tenho experimentado ao longo da minha trajetória, exige três pilares de execução: cultura organizacional centrada no cliente, quando cada área entende seu papel na entrega de valor, desde o desenvolvimento até o pós-venda, a voz do cliente deixa de ser um relatório para virar norteadora de decisões diárias; tecnologia como acelerador, plataformas de análise de dados, CRMs robustos e inteligência artificial para identificar padrões e prever necessidades ajudam a transformar feedback em ação real; e prova de impacto, demonstrar ao cliente que suas sugestões se transformam em melhorias tangíveis fortalece a confiança e fecha o ciclo de lealdade.

O IMPACTO DE ACERTAR NA EXPERIÊNCIA
O relatório ROI of Customer Experience in 2024 (Qualtrics) mostra que, em setores de alto envolvimento emocional ou financeiro, como serviços financeiros e bens de consumo, a diferença entre uma experiência excelente e uma ruim pode multiplicar por até três a probabilidade de recompra ou recomendação. Em outras palavras, não há espaço para ser apenas “ok”. Para empresas como as citadas acima, isso significa atuar com a mesma excelência tanto no digital quanto no físico, garantindo que cada interação seja uma oportunidade de reforçar a relação e não um risco de desgaste.

DO INSIGHT À AÇÃO CONTÍNUA
Num mercado em que tudo parece prioridade e o cenário muda a cada instante, vejo que as empresas que conseguem alinhar estratégia, inovação e a voz do cliente conquistam não apenas participação, mas também confiança e relevância duradoura. Não se trata de repetir o slogan de ‘colocar o cliente no centro’, e sim de tornar essa prática parte do DNA organizacional. As que conseguirem transformar essa mentalidade em ação contínua serão, no futuro, não apenas sobreviventes das mudanças, mas protagonistas na definição de seus rumos.

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CONSELHEIR@

Eduardo Rodrigues

Head de UX e Design Digital.

Cearense, apaixonado por pessoas, inovação e pela construção de experiências encantadoras. Com uma carreira executiva focada em UX/CX, está como Head de Experiência na Solar, 2ª maior companhia do sistema Coca-Cola no Brasil e uma das 15 maiores do mundo. Tem MBA em Marketing e Negócios Digitais, Pós-Graduação em Liderança e Gestão pela ESIC (Espanha) e é Pós-Graduando em Interação Humano Computador pela PUC-RJ. Atua também como professor de design e mentor de startups (Distrito, FGV Ventures, dentre outras). Com mais de 10 anos de atuação, liderou diversas equipes de design e inovação, sempre conectando às entregas às estratégias de negócio, alcançado resultados excepcionais. Acredita profundamente na ideia de que nada é imutável e que estamos sempre em constante evolução e construção.