A inovação aberta consolidou-se como uma estratégia essencial para grandes corporações que buscam manter relevância em mercados altamente competitivos e em constante transformação, ao contrário da inovação fechada, centrada exclusivamente em competências internas, a inovação aberta utiliza conhecimentos externos e internos, criando múltiplos caminhos para levar ideias ao mercado (Chesbrough, 2003).
Tradicionalmente, grandes empresas investiam em departamentos internos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), contudo, a velocidade das transformações tecnológicas e a globalização mostraram que essa abordagem fechada é insuficiente para manter a competitividade (Chesbrough & Crowther, 2006). Neste contexto, a inovação aberta promove a colaboração intensa entre empresas, startups, universidades e outras instituições, acelerando o acesso a novos conhecimentos, tecnologias e recursos (Mortara & Minshall, 2011).
A relevância dessa abordagem decorre principalmente dos seguintes fatores:
1. Aceleração do desenvolvimento de produtos e serviços: a parceria com agentes externos permite às corporações reduzir o tempo de lançamento de novos produtos e serviços, aproveitando ideias validadas e tecnologias emergentes (Bogers, Chesbrough & Moedas, 2018).
2. Redução dos custos de inovação: o compartilhamento de recursos financeiros, tecnológicos e humanos otimiza investimentos, diminuindo gastos totais com P&D (Chesbrough, 2007).
3. Fortalecimento da competitividade estratégica: a possibilidade de acessar rapidamente novos conhecimentos e tecnologias proporciona uma vantagem competitiva essencial, antecipando tendências e identificando oportunidades antes dos concorrentes (Chesbrough & Appleyard, 2007).
4. Promoção de uma cultura organizacional inovadora: a inovação aberta gera mudanças culturais significativas, incentivando a experimentação e tolerância ao erro produtivo, aumentando o engajamento dos colaboradores e estimulando a criatividade organizacional (Huizingh, 2011).
5. Adaptação ágil às demandas do mercado: empresas adeptas da inovação aberta respondem com maior velocidade às mudanças das necessidades dos clientes, colaborando intensamente com startups e outros atores do ecossistema (Chesbrough & Crowther, 2006).
Para implementar eficazmente a inovação aberta, grandes corporações devem investir em pilares essenciais como o alinhamento estratégico, a capacitação contínua dos colaboradores e uma cultura que valorize a experimentação e a liderança engajada (Mortara & Minshall, 2011; Chesbrough, 2007; Huizingh, 2011).
Na Seguros Unimed, esses pilares norteiam as iniciativas de inovação aberta, a empresa busca assegurar que todos os projetos estejam alinhados aos objetivos estratégicos, comunicando claramente o propósito e impacto das ações, essa clareza de propósito motiva os colaboradores a participarem ativamente da geração de ideias e projetos inovadores.
Um dos veículos adotados para promover a capacitação contínua dos colaboradores em inovação é o programa de intraempreendedorismo “Ideias de Valor (Desafio da Inovação)”, por meio deste programa, investimos na formação de nossos colaboradores, desde a fase de concepção e refinamento das ideias propostas até o desenvolvimento dos primeiros protótipos e constituição de um produto mínimo viável (MVP).
Iniciado em 2017, o programa foi remodelado em 2023, com a intenção de proporcionar aprendizado prático, no formato vigente, os participantes devem se auto-organizar em equipes multidisciplinares, propondo soluções vinculadas diretamente ao planejamento estratégico da empresa, o programa divide-se em duas fases: Ideação e Aceleração, na fase de Ideação, as equipes propõem, refinam e apresentam suas ideias, enquanto na fase de Aceleração os MVPs são testados em situações reais para avaliar impacto e aplicabilidade. Na edição de 2023, o programa registrou resultados expressivos: 53 ideias submetidas, 10 aprovadas para refinamento, 5 selecionadas para MVP e 4 aceleradas, mais de 500 colaboradores foram sensibilizados, sendo que 21 passaram para a etapa seguinte e participaram ativamente das sessões de refinamento, acumulando mais de 21 horas de capacitação em inovação. Posteriormente, os times finalistas receberam mais de 30 horas de assessoramento e 38 horas adicionais de treinamentos e mentorias coletivas ou individuais. As ideias aprovadas são aceleradas por meio de squads internos ou por meio de startups, neste contexto, o time de inovação apoia no letramento prático dos colaboradores no desenvolvimento das parcerias com as startups, a participação dos colaboradores em projetos de inovação aberta com startups promove benefícios como o desenvolvimento de uma cultura mais ágil e empreendedora, estímulo à criatividade, maior tolerância ao risco e aprendizado acelerado com tecnologias emergentes e novos modelos de negócio. Diferentemente da relação com fornecedores tradicionais, geralmente pautada por contratos rígidos e resultados previsíveis, o relacionamento com startups exige maior flexibilidade, experimentação contínua e adaptação rápida, favorecendo um ambiente de cocriação, onde erros são vistos como oportunidades de aprendizado e inovação, não apenas como desvios do planejamento original.
Em 2024 e 2025, outras duas edições do programa geraram 119 novas ideias e quatro iniciativas adicionais em aceleração, uma dessas edições foi exclusivamente voltada às equipes comerciais e de relacionamento, visando envolver de forma mais efetiva os colaboradores alocados nos escritórios regionais, a maioria das iniciativas continuou sendo desenvolvida com apoio de startups, fortalecendo comportamentos alinhados à cultura organizacional desejada. Além dos resultados tangíveis, destacam-se ganhos como fortalecimento da confiança, sinergia interdepartamental e incentivo ao aprendizado contínuo, para a Seguros Unimed, o processo é tão relevante quanto os resultados, pois fortalece uma cultura organizacional colaborativa e inovadora. Por fim, o engajamento ativo da liderança tem sido essencial para criar um ambiente seguro e estimulante, permitindo aos colaboradores testar suas ideias livremente e incentivando o aprendizado constante, a pesquisa “Innovation Survey 2024”, realizada pela Ace Cortex, reforça que o papel do líder é tão importante quanto a cultura organizacional e a disponibilidade de recursos financeiros para superar os entraves à inovação, o atual formato do programa “Ideias de Valor” envolve todos esses aspectos, assegurando o suporte necessário ao longo de toda a jornada inovadora. Na Seguros Unimed, temos vivenciado na prática como a inovação aberta potencializa não apenas resultados de negócio, mas principalmente a construção de uma cultura colaborativa e resiliente, a cada ciclo do programa Ideias de Valor, bem como no lançamento de desafios específicos e nas parcerias diretas com startups, comprovamos que a inovação aberta vai além da geração de soluções, ela fortalece laços, amplia a visão de futuro e cria um ambiente fértil para transformar aprendizados em impacto real, essa vivência reforça que, para organizações de qualquer porte ou setor, abrir-se ao ecossistema é um caminho estratégico para enfrentar a complexidade dos mercados atuais e acelerar a criação de valor sustentável.
REFERÊNCIAS
ACE CORTEX. 2024 Innovation Survey. Disponível em: https://www.acecortex.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Report-Innovation-Survey-2024-1.pdf . Acessado em 29/07/2025. BOGERS, M.; CHESBROUGH, H.; MOEDAS, C. Open Innovation: Research, Practices, and Policies. California Management Review, v. 60, n. 2, p. 5-16, 2018. CHESBROUGH, H. Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology. Harvard Business School Press, Boston, 2003. CHESBROUGH, H. Open Innovation and Strategy. California Management Review, v. 50, n. 1, p. 57-76, 2007. CHESBROUGH, H.; APPLEYARD, M. M. Open Innovation and Strategy. California Management Review, v. 50, n. 1, p. 57-76, 2007. CHESBROUGH, H.; CROWTHER, A. K. Beyond high tech: early adopters of open innovation in other industries. R&D Management, v. 36, n. 3, p. 229-236, 2006. HUIZINGH, E. K. R. E. Open innovation: State of the art and future perspectives. Technovation, v. 31, p. 2-9, 2011. MORTARA, L.; MINSHALL, T. How do large multinational companies implement open innovation? Technovation, v. 31, p. 586-597, 2011.