COMO A TI PODE SE TORNAR UM ATIVO ESTRATÉGICO PARA IMPULSIONAR A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL?

‎Por Jorge Luís Cordenonsi

A transformação digital impôs uma nova realidade às organizações: a Tecnologia da Informação (TI) deixou de ser uma área de suporte, focada em redução de custos e manutenção de sistemas, para se tornar o epicentro da estratégia de negócio e da vantagem competitiva. Empresas que não reconhecem a TI como um ativo estratégico correm o risco de se tornarem obsoletas. Nesse contexto, a administração eficaz da TI não é apenas uma necessidade operacional, mas uma condição para a sobrevivência e o sucesso.

É fundamental alinhar a estratégia de TI com a estratégia de negócio, uma premissa que hoje é o alicerce de metodologias ágeis de desenvolvimento de produtos. A satisfação do cliente e a gestão da informação, destacadas como fatores críticos, são os pilares que sustentam produtos digitais bem-sucedidos.

Um modelo de administração deve possuir características que o tornem flexível e adaptável. Ele pode ser estruturado em quatro elementos interdependentes — Processos, Organização, Tecnologia e Sistema Gerencial — todos imersos na Cultura Organizacional. Qualquer mudança em um desses elementos, como a introdução de uma nova tecnologia, reverbera por todo o sistema, exigindo adaptação contínua. Essa visão sistêmica é a essência do pensamento ágil, centrado na capacidade de resposta rápida às mudanças.

Os processos de TI podem ser classificados em três grupos: Estratégico, Tático e Operacional. Essa divisão é crucial para direcionar corretamente o foco e o esforço de cada nível da organização. O grupo estratégico define a direção e inclui processos como administrar a estratégia de TI e administrar o valor de TI, garantindo que investimentos e recursos estejam alinhados aos objetivos da empresa. Em perspectivas ágeis, isso se traduz no trabalho dos líderes de produto e executivos, que definem visão e resultados-chave (OKRs).

O grupo tático faz a conexão entre a estratégia e a execução. Processos como administrar o desenvolvimento de soluções e administrar a satisfação dos clientes são conduzidos por Gerentes de Produto e Gerentes de Engenharia. Nesse nível, necessidades de negócio são traduzidas em backlogs, SLAs são definidos e monitorados, e as entregas de valor precisam ser contínuas e alinhadas às expectativas.

O grupo operacional garante estabilidade e confiabilidade. Processos como administrar a disponibilidade e administrar problemas de TI compõem essa camada. Times de DevOps e de Site Reliability Engineering atuam aqui, assegurando infraestrutura robusta, segura e escalável para suportar entregas contínuas.

A principal barreira para implementar um modelo de TI orientado a processos é a cultura organizacional. Estruturas hierárquicas e funcionais, que criam silos de conhecimento, dificultam colaboração e comunicação — elementos vitais para a agilidade. Transitar para uma organização orientada a produtos digitais exige mudança de mentalidade: sair da lógica de projetos com escopo fechado para a entrega contínua de valor em produtos evolutivos.

As empresas precisam integrar esses conceitos com rapidez. TI não pode mais operar como uma caixa-preta. Profissionais de tecnologia precisam entender de negócio, e profissionais de negócio precisam compreender o potencial da tecnologia. A criação de equipes multidisciplinares (squads), a adoção de cerimônias ágeis e uma comunicação transparente são mecanismos essenciais para quebrar barreiras culturais e promover o alinhamento estratégico previsto no modelo.

Administrar a TI como ativo estratégico requer um modelo robusto, flexível e orientado a processos que gerem valor real. O modelo estruturado para a empresa, combinado a práticas ágeis contemporâneas, deve buscar um alinhamento cultural consistente para que produza resultados concretos e sustentáveis.

JORGE LUÍS CORDENONSI

CONSELHEIR@

Jorge Luís Cordenonsi

Ampla experiência em Tecnologia da Informação (TI). Atualmente, atua como Conselheiro, Mentor e Advisor de TI. Ao longo de sua carreira, Cordenonsi ocupou posições de liderança em diversas empresas de destaque, incluindo IBM, Europ Assistance, First Data (Fiserv), General Motors (GM), Walmart, Sodexo e Compass GRSA.

Sua formação acadêmica é sólida, com graduação em Análise de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1989), mestrado em Gerenciamento de Sistemas de Informação pela mesma instituição (1994) e doutorado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (2001).

Em reconhecimento à sua atuação no setor, foi listado no HITEC 50 de 2024, que destaca líderes hispânicos em tecnologia. Além de suas funções executivas, Cordenonsi também contribuiu como professor na Fundação Getulio Vargas (FGV), demonstrando compromisso com a formação de novas lideranças em TI.

Atua ainda como Conselheiro Assessor da CIONET Brasil e como Conselheiro Consultivo do Grupo Ivy, reforçando sua participação estratégica no desenvolvimento do ecossistema de tecnologia e gestão no país.